Ciúme.

Levanto rápido, correndo, correndo mais, não tenho tempo a perder.O suor frio escorrendo pelo rosto. Insônia. Checo cada mensagem, cada centímetro abençoado com as suas pegadas. Eu procuro outra pegada. Qualquer uma, pode ser de qualquer um. Isso, qualquer um. Qualquer um menos eu. Rápido. Tenho que achar, está aqui em algum lugar, tem que estar, não pode ser mentira. Ou verdade. Tenho que encontrar qualquer coisa que esteja fora do lugar que deveria, ou que esteja no lugar certo mas deveria estar fora. As mensagens de novo, devo ter deixado escapar alguma. É óbvio que estou esquecendo de olhar em algum lugar. Eu lembro do olhar indo de encontro a qualquer outro ser do outro lado da rua que não era eu. Lembro, nunca esquecerei. E também não é possível que seu olhar sempre seja direcionado a mim, deve haver outro em algum lugar. Deve estar por aqui. Vou levantar de novo e procurar. Qualquer outra pegada. Pode ser que seja parecido comigo. Mas não sou eu, sei que não. Sei que aqueles suspiros não são pra mim. Se ao menos eu pudesse fazer você parar de respirar, nunca mais suspirar. Nunca! E nunca mais seria de ninguém, sim. Nunca. As mensagens. Pegadas. Os suspiros. Apenas procuro a certeza de que me sinto inferior por um motivo concreto. Olho todos os cantos sujos de poeira. Todos eles. Procuro um que esteja limpo. Ou que esteja coberto com poeira nova. Suor, insônia.



Danilo

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